ANSIEDADE

Qual o nível da sua ansiedade diante da situação atual, em que o isolamento ainda é a orientação para todos nós?

Escrevo esta reflexão em 27 de março, o décimo dia da restrição de contatos presenciais que a maioria de nós têm enfrentado. No meu caso, os contatos presenciais têm se resumido a duas idas ao supermercado, mas, mais vivência familiar que anteriormente. Já por canais eletrônicos, há muita interação social com família estendida e irmãos na fé!

 

A esta altura, a opinião pública já se divide:

 – Se o mal menor seria continuar no isolamento e lidar com as consequências sociais, psicológicas e econômicas, pois sabemos que nestas áreas já temos e teremos, consequências inevitáveis do período em reclusão;

– Ou se o mal menor seria isolar apenas os que são do grupo de risco, permitindo que o restante da sociedade volte gradativamente à sua rotina.

Fato é, que não conhecemos ao certo o resultado em “terras brasileiras” se adotássemos uma ou outra medida. Situação nova, que por si só causa ansiedade! 

 

ANSIEDADE FAZ PARTE DA VIDA: Precisamos dela como sinal de alerta, que adverte sobre perigos iminentes e nos capacita a tomarmos medidas para segurança. Mas, e quando a medida principal é o esperar? Diante da sensação de que não podemos fazer nada, para muitos a ansiedade tende a aumentar…

Como podemos nos portar como Igreja de Cristo no contexto atual? Como todos, sofremos as limitações impostas devido ao Coronavírus, mas, somos especialmente convidados a refletir sobre a palavra bíblica que nos diz: 

“ENTREGUEM-LHE TODAS AS SUAS ANSIEDADES, POIS ELE (DEUS) CUIDA DE VOCÊS.” I Pedro 5.7. 

ENTREGAR A ANSIEDADE SEM ESQUECER DA RESPONSABILIDADE: O convite para “entregar” ou “lançar sobre” Deus nossa ansiedade, não é um convite para sermos irresponsáveis. Nem tão pouco um convite para nos alienarmos do que está acontecendo na nossa cidade e no mundo como um todo diante da pandemia do Coronavírus. É no entanto, um convite para que nossas atitudes de prevenção e de readaptação à nova rotina, sejam feitas acima de tudo em CONFIANÇA a DEUS!

Isto nos remete ao Salmo 127:

“SE NÃO FOR O SENHOR O CONSTRUTOR DA CASA, SERÁ INÚTIL TRABALHAR NA CONSTRUÇÃO. SE NÃO É O SENHOR QUE VIGIA A CIDADE, SERÁ INÚTIL A SENTINELA MONTAR GUARDA.” Salmo 127.1

 

RESPONSABILIDADE E CONFIANÇA: Ou seja, nosso agir sempre é importante e deve ser feito da melhor forma, em autoconfiança naquilo que são nossas habilidades e responsabilidades. Mas, acima desta autoconfiança deve estar nossa dependência última no Senhor. Afinal, se ele não nos guardar, se ele não mantiver nosso respirar, de nada adianta nossa prevenção! 

REFLITA: o que é mais desafiador na dinâmica entre fazer e confiar em Deus?

Na mesma perspectiva somos convidados a planejar ao que seguirá este momento – planejar e executar. Como Igreja de Cristo somos convidados a ajudar ao próximo. Quais demandas virão a partir de consequências econômicas, psicológicas e sociais do período de isolamento? Perceba onde Deus lhe chamar para agir futuramente: dentro de casa, na vizinhança e no seu espaço de atuação da cidade. Seja qual for a pessoa que Deus lhe confiar, e também a tarefa que puder executar, Deus nos confia responsabilidades para a realizarmos em confiança e total dependência dele! Ou seja, Deus não apenas diz para irmos e fazermos, ao mesmo tempo que ele nos confia uma responsabilidade, também afirma ir conosco! 

Possivelmente nesta altura da leitura (se você estiver lendo durante o período de quarentena), podemos nos questionar: Se ao menos pudéssemos fazer algo mais prático, sair dos nossos pátios e lares e arregaçarmos as mangas!? Então a ansiedade se reduziria por si só!

Sem dúvida seria mais fácil! Porém, o desafio bíblico para combater a ansiedade, está exatamente em não dependermos das circunstâncias, mas, em fortalecermos nossa confiança no Senhor independente da situação! Observe Eclesiastes 3:

Em Eclesiastes 3.1-8, temos ótimos ensinamentos sobre a realidade da vida, que nos ajudam a evitar a ansiedade. Sugiro a leitura deste texto e em seguida, observe:

  1. TUDO TEM UM MOMENTO OPORTUNO E APROPRIADO: A lógica é que só se pode viver uma situação por vez. A língua hebraica usa duas palavras distintas para a tradução “tempo”, que em resumo significam que cada tempo cronológico apenas pode ser preenchido por uma oportunidade. E sabemos como ficamos ansiosos quando queremos, ao estilo do espírito da nossa época, sermos multitarefas! Faça uma coisa de cada vez, de forma consciente!
  2. O TEMPO É LIMITADO: Não podemos fazer tudo que queremos na vida, há um limite apresentado no verso 2: entre nascer e morrer. Se hoje estamos vivos, nos encontramos dentro do limite maior da vida. Mas, também há limites menores: tempo de abraçar e de deixar de se abraçar, por exemplo. Estamos vivendo um tempo de reclusão maior, e o texto bíblico nos convida para aceitarmos a situação, também sabendo que irá passar!
  3. NEM TUDO NA VIDA É COMO GOSTARÍAMOS QUE FOSSE: Um dos fatores mais opressores e causadores de ansiedade da nossa época é a imposição de que a vida precisa ser perfeita! A leitura sapiencial do Antigo Israel já aponta para o fato de que a vida é feita de bons e maus momentos … tempo de chorar, tempo de rir… tempo de ganhar, tempo de perder. Os momentos difíceis, também este que estamos vivendo, fazem parte da realidade, obviamente. Mas, na lógica desta poesia também está a verdade de que nenhum momento perdura para sempre!

CONCLUSÃO: Precisamos aceitar alguns limites que estamos vivendo. E dentro da situação que Deus nos permitiu viver, podemos agir. Façamos nossa parte, ou, esperemos para realizar algumas obras. Portanto, seja no realizar ou no esperar, somos convidados a lidar com todas as situações em confiança última no Senhor!

 

Sugestão de música “Hoje”: 

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