Cuide e cuide-se!

“Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda”. Essas é a conclusão de Deus em Gn 2.18, após olhar para a sua criação. Embora, em Gn 1, Deus afirma e reafirma que sua criação é boa, em Gn 2 Deus percebe que faltava algo: a solidão do homem ainda precisava ser resolvida.

O ser humano, como indivíduo, é criado a imagem e semelhança de Deus. Mas a criação do homem não é criação apenas de um ser individual e isolado, mas a comunhão e o relacionamento com alguém que lhe seja no mesmo nível faz parte da criação de Deus. Somos criados para nos relacionar. Precisamos de relacionamentos, comunhão e vínculo com outros seres humanos. Ninguém se basta! Não existem pessoas autossuficientes!

Ec 4.9-12 expressa, de maneira ainda mais intensa, a nossa necessidade de não estarmos a sós.

 

Diálogo:
Como você lida com a solidão?
Num mundo marcado pelo egoísmo e individualismo, ainda encontramos o que Ec 4 expressa?

 

“Cada um cuida da sua vida” – é bem comum ouvirmos uma frase assim. E, além disso, é bem comum pensamentos assim passarem pela nossa mente. E, por um lado, é verdade: cada um de nós precisa de seu espaço e da sua privacidade, algumas áreas e questões da nossa vida não são e nem devem ser públicas. Mas, por outro lado, ausentar-se da vida do outro e anular nossa responsabilidade de cuidar do outro vai contra aquilo que Jesus nos ensinou – obviamente, bom senso e conhecer nossos limites para não nos tornarmos “metidos” é importante também.

Esta ideia de “cada um cuida de si” é muito semelhante a resposta que Caim deu para Deus após matar seu irmão em Gn 4.9. Na procura por Abel, Deus pergunta para Caim onde estava seu irmão. “Por acaso sou cuidador do meu irmão?” (ou poderíamos também ler: “por acaso eu sou responsável por cuidar do meu irmão?”). A pergunta de Caim fica sem resposta, mas obviamente ela seria “sim, você é responsável pelo seu irmão”.

Somos criados para relacionamentos e comunhão, mas isso não significa apenas que o outro é responsável pelas nossas necessidades e vontades. Também nós somos responsáveis por cuidar do outro. A vida não deve girar sempre em torno de nós mesmos.

Esse fato nos chama para uma tarefa muito importante: cuidar e amar o meu próximo. Vários textos bíblicos falam da centralidade do amor e do cuidado com o outro. Cuidar tem a ver com a verdadeira religião e fé: Tg 1.27.

Cuidado com pessoas enfermas, doentes, com necessidades especiais e que passam por sofrimentos deve ser parte da nossa vida. E, por meio do nosso cuidado, muitas vezes a pessoa pode experimentar o cuidado do próprio Deus.

Leia e busque responder as perguntas:

Mc 2.1-12:
– O que mais lhe chama a atenção na atitude dos 4 amigos?
– A fé de quem foi observada por Jesus (v.5)?
– Porque, na sua opinião, os 4 amigos não desistiram de ajudar o paralítico?
– Porque as demais pessoas que estavam no lugar não deram espaço para que os 4 amigos passassem com o paralítico?

Lc 10.25-37:
– Qual era a consequência de que uma pessoa tocasse alguém morto ou, como na história, que aparentava estar morto/quase morto?
– Qual a semelhança entre os 3 primeiros homens que passavam pelo homem, além do fato de que eles não o auxiliaram? Por que eles não auxiliaram?
– Quem era, para o judeu, o samaritano?
– Cuidado exige disposição em doar de si mesmo – quais os custos que o samaritano teve?

Dentro dessa última história são mencionados os dois grandes mandamentos: ame a Deus com todo o teu ser e ame o teu próximo como a ti mesmo. Cuidar do próximo e amar o próximo é essencial e faz parte da nossa missão – por meio da nossa vida e do nosso cuidado Deus se faz presente na vida de pessoas. E cuidar e amar sempre tem um preço para nós – somos chamados a abrir mão de nós mesmos toda a vez que precisamos cuidar do outro. Mas é importante lembrar que nós também somos amados por Deus e precisamos ser cuidados. Quem não é cuidado e quem não cuida de si mesmo acaba não tendo condições de cuidar do seu próximo. Por isso, junto como o “amar ao próximo” vem o “amar a si mesmo”. Amar ao próximo não é fruto de um “odiar a si mesmo” – por outro lado o “amar a si mesmo” não pode ser tornar um “desprezar o outro”.

 

Diálogo:
Você já precisou cuidar de alguém? Como foi a experiencia para você e qual a reação da pessoa?
O que é mais difícil para você: cuidar do outro ou cuidar de si mesmo?

 

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