Um bom mestre e bons ouvidos…

O ser humano tem uma incrível capacidade de ser achar autossuficiente. Pensamos que somos capazes de tudo e que sabemos de tudo o que precisamos e, por isso, acabamos rejeitando conselhos e ensinamentos.

Esquecemos, porém, que ser sábio não é saber tudo e ser autossuficiente. Pelo contrário, ser sábio é ter bons ouvidos; ouvidos que sabem discernir e ouvir bons conselhos.

Leitura de Pv 12.15, Pv 13.10, Pv 19.20-21 e Pv 28.26.

Estamos em época de copa do mundo! É interessante notar que um jogo e a formação de um bom time não acontece apenas entre os jogadores dentro de campo. Há muitas pessoas, que não estão em campo, envolvidas na formação de um bom time. Há, fora do campo, jogadores reservas e uma equipe, entre os quais há um técnico. Para fazer um bom jogo, não basta ter uma boa técnica e bons jogadores, mas também é necessário ter bons ouvidos e estar disposto a seguir as orientações que vem de fora do campo.

 

Diálogo:

– Na sua opinião, quais são os motivos pelos quais achamos que sabemos tudo e rejeitamos conselhos?  

 

 

Para podermos ser sábios, precisamos de bons conselhos. Precisamos de alguém que possa nos instruir. Contudo, temos enfrentado uma dupla crise.

Por um lado, há uma crise de pessoas com disposição para ouvir! Não há mais quem queira ouvir bons conselhos. Pedir ajuda e ceder ao fato de que não sabemos tudo talvez sempre foi algo difícil para o ser humano, afinal de contas, ninguém gosta de reconhecer suas limitações e fraquezas. Embora saibamos que ninguém é perfeito, temos grande dificuldade em reconhecer nossa imperfeição. Talvez o fato de que termos acesso a tanta informação por meio da internet tenha intensificado essa atitude; temos a sensação de que não precisamos recorrer a ninguém (a não ser ao google) quando precisamos de alguma dica ou orientação.

E, por outro lado, temos vivido uma crise de pessoas com capacidade de ensinar e ser referência! Em quem confiar, quando sabemos que todos tem problemas e são falhos!? Olhamos ao redor e vemos que os líderes ao nosso redor (religiosos, políticos, etc.) tem seus problemas, falhas, fraquezas e, algumas vezes, até estão envolvidos em grandes escândalos. Logicamente sabemos que eles também são falhos. Mas até que ponto podemos confiar neles e tê-los como referência?

 

Diálogo:

– Qual você considera sua maior dificuldade: aceitar que precisa aprender ou encontrar alguém em que você consiga confiar para lhe orientar?

– Como podemos resolver o problema de que as pessoas são falhas, mas precisamos aprender com elas? Precisamos de pessoas mais perfeitas ou precisamos reduzir nossas expectativas com as pessoas?

– Você se considera alguém capacitado para ensinar e aconselhar?

 

 

Leitura de Jo 15.1-9

Nossa vida é criada para um propósito: dar bons frutos. O que esse texto está nos dizendo é que nossa vida chega ao seu alvo e é vivida em plenitude na medida em que estamos ligados a Cristo. Por isso a palavra que se repete constantemente nesses versos é o “permanecer”.

Este permanecer em Cristo tem várias implicações. Somos convidados a dar ouvidos a Cristo e a tê-lo como referência em nossa vida. Somos convidados a viver numa relação entre discípulos e mestre. Diferente de tantos líderes e pessoas falhas que encontramos ao nosso redor, Jesus é aquele em que podemos confiar plenamente, pois nele não há falha.

Além de ouvir Jesus como mestre, o permanecer também tem a ver com o receber vida e salvação de Jesus Cristo e não apenas um ensinamento. Jesus não é apenas nosso mestre, mas é também nosso salvador. Assim como o ramo apenas recebe vida se estiver ligado a videira, também apenas temos vida se a recebemos de Cristo.

Assim como um técnico e uma equipe técnica é importante para um time, do mesmo modo também Cristo é essencial para nós. Sem ele não há vida – sem ele nada podemos fazer!

A consequência do permanecer em Cristo é o “dar frutos”. A vida com Cristo gera consequências. Podemos dizer que uma das consequências deste viver ligado a Cristo é o que lemos em Leia 1 Co 11.1.

Na medida em que Cristo é nossa referência, nos tornamos referência.

Talvez a nossa primeira reação ao ler e ouvir isso é pensar que a responsabilidade é muito grande e que não temos condições de ser referência, pois somos muito falhos e cheios de defeitos. Isso é verdade: somos falhos e jamais seremos perfeitos! Mas quando Paulo faz esta afirmação ele não estava afirmando que ele era perfeito e em total condições de ser uma referência. Ser um exemplo não tem a ver com ser perfeito, mas com viver uma vida que aponta para Cristo: seja em nossas qualidades ou em nossos defeitos. Caso se tratasse de perfeição, Paulo diria apenas “sejam meus imitadores”.

Isso tem duas implicações! A primeira delas é que não somos chamados a esperar a perfeição das pessoas e daqueles que são nossas referencias – somos chamados a ter como referência aqueles que, em suas qualidades e falhas, apontam para Cristo. E a segunda implicação é que não devemos esperar que nos tornemos perfeitos para assumir a responsabilidade de ser um exemplo.

 

Diálogo:

– Quem Cristo é para você? Como você responderia essa pergunta se alguém que não crê em Cristo a fizesse para você?

­- Como podemos ser exemplo em nossas qualidades? Quais são os perigos que corremos com nossas qualidades?

– Como podemos ser exemplo com nossas fraquezas e falhas? Quais são os perigos que enfrentamos diante do fato de sermos falhos?

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