E se Deus declarasse greve?

Diálogo:

Você já imaginou o que aconteceria se Deus declarasse greve? Qual sua opinião sobre isso?

Em vários momentos da vida temos a sensação de que Deus está em greve. O silêncio de Deus pode nos levar a passar por crises na vida de fé. Contudo, ainda que Deus se cale em meio as nossas lutas, sabemos que ele está sempre presente. E, mesmo que as vezes duvidemos disso, depois que passamos pelas dificuldades, conseguimos perceber como fomos carregados. Poderíamos dizer que Deus não faz greve.

Deus, em muitos momentos, se faz presente na nossa vida por meio de outras pessoas e da sua Igreja.

Diálogo:

Cremos que Deus não faz greve, mas como seria se a sua Igreja declarasse greve?

O que aconteceria se a MEUC Joinville e o grupo no qual você participa parasse todas suas atividades?

Cada um de nós talvez tenha um sentimento diferente em relação a isso. Para alguns de nós talvez uma greve da Igreja seria algo extremamente triste, pois somos na comunhão que ali encontramos. Mas e se pensarmos para além de nós e das pessoas que se encontram conosco regularmente na Igreja: será que as pessoas sentiriam nossa falta? Essa é a pergunta que a Igreja precisa se fazer.

Quando ouvimos o termo “igreja” muitas coisas podem se passar em nossa cabeça. Para alguns “igreja” é sinônimo de uma construção com uma torre, um relógio e um sino. Para outros se trata de uma instituição com um CNPJ. Para outros é um grupo de pessoas que se encontra regularmente para ler um livro antigo. Mas do que estamos falando quando usamos este termo?

Há uma diferença entre Igreja (com “i” maiúsculo) e igreja (com “i” minúsculo). Quando falamos em Igreja estamos falando no conjunto de pessoas que crê em Cristo, as quais receberam o Espírito Santo e se encontram espalhadas ao redor de todo o mundo e que viveram em diferentes épocas. A Igreja é o Corpo de Cristo. Já quando falamos em igreja, podemos estar nos referindo a um grupo de pessoas que é oficialmente membro de uma instituição religiosa ou até mesmo podemos estar nos referindo à própria instituição e/ou às pessoas que se encontram ali para celebrar uma cerimônia religiosa. Contudo, ser membro de uma igreja e participar de um culto ainda não significa que somos Igreja. Muitos fazem parte de uma igreja como membros, mas não creem e não são Igreja. O único que pode distinguir quem apenas faz parte de uma igreja e quem é Igreja é o próprio Deus, pois ele conhece nosso coração.

A Igreja é chamada de Corpo de Cristo. Cristo não está mais presente fisicamente nesse mundo, como pessoa, mas ele se faz presente por outros meios. Um destes meios é a Igreja. Através daqueles que creem nele, ele age nesse mundo. Não é à toa que Cristo é chamado de luz do mundo e, ao mesmo tempo, também a Igreja é enviada ao mundo para o iluminar.

Leia Jo 8.12 e Mt 5.14-16

Diálogo:

De que maneira nós podemos ser a luz de Cristo nesse mundo? O que significa ser a luz do mundo?

De que maneira nós deixamos de iluminar e nos tornamos uma luz escondida, que não ilumina?

Como você se sente nesse sentido: como alguém que precisa ser iluminado por Cristo, como uma luz escondida ou como uma luz que tem brilhado a partir da presença de Cristo em tua vida?

No Novo Testamento a Igreja é o povo de Deus, formado a partir da aliança de Deus em Jesus Cristo. Já no Antigo Testamento, quem ocupa o posto de povo de Deus é a nação de Israel. Embora a Igreja seja povo de Deus em uma dimensão diferente da de Israel, ainda assim podemos aprender algumas lições importantes sobre o que significa ser povo de Deus.

A história de Deus com um determinado povo começa em Gn 12, a partir do chamado e das promessas de Deus para Abrão. Abrão recebe a benção de Deus e, junto com ela, uma responsabilidade: ser uma benção. Também a Igreja vive a mesma experiencia: somos abençoados por Deus com a salvação em Cristo Jesus e ao mesmo tempo somos chamados a abençoar a fazer discípulos de todas as nações, anunciando a salvação em Cristo. Leia Gn 12.1-3.

O povo de Israel não é escolhido por mérito; em nenhum momento eles fazem algo de especial para que Deus os escolha e os ame mais do que a outros povos. Na realidade, Deus os escolhe por amor e com a intenção de alcançar os outros povos por meio deles. Mas, mesmo com esse chamado tão claro, Israel muitas vezes esquece disso.

O livro de Jonas é um dos relatos bíblicos que denuncia essa atitude do povo de Israel. Jonas era um profeta e ele é enviado por Deus para anunciar sua palavra na cidade de Nínive. Os ninivitas eram grandes inimigos de Israel, pois foram responsáveis pela aniquilação de boa parte do povo de Deus, isto é, do Reino do Norte. Leia Jn 1.1-3

Jonas, ao invés de obedecer a Deus, se recusa a ir para Nínive vai para a direção oposta. Deus envia uma tempestade e Jonas acaba sendo jogado no mar e é engolido por um grande peixe e, no final das contas, acaba parando em Nínive. E, forçadamente, ele anuncia o juízo de Deus. E o que Jonas temia acontece: o povo de Nínive se arrepende e Deus decide não os destruir mais. Nesse momento Jonas se revolta e pede para que Deus o mate. Ele não podia aceitar que o perdão e amor de Deus alcançasse o maior inimigo de Israel.

Jonas é uma figura que representa o povo de Israel na medida em que Israel esquece sua missão: ser uma benção para as nações. E podemos usar a figura de Jonas também para nos questionar como Igreja: em que medida nós também temos esquecido qual nossa missão e temos deixado de abençoar aqueles que não creem em Deus por meio de nossa vida?

Muitas vezes deixamos de fazer a diferença em nossa casa, trabalho, rua e na cidade onde moramos, pois estamos sufocados com nossa agenda e preocupações. Também nas atividades em nossa comunidade, estamos sufocados com preocupações financeiras, com a logística das programações e com encontrar voluntários. Realizamos muitos programas, mas ao mesmo tempo não nos perguntamos mais porque os realizamos. No final das contas não nos damos conta que o objetivo de que todas as nossas ações deveriam ser o anunciar do amor de Deus para todas as pessoas.

Outras vezes deixamos a missão de lado porque nos sentimos incapazes: achamos que não estamos prontos e precisamos primeiro reformar nossa igreja, fazer treinamentos, fazer um curso de teologia e assim por diante. Outras vezes não fazemos missão porque achamos que as pessoas deste mundo não são dignas de ouvirem o evangelho – pensamos que suas vidas não têm solução e que Deus talvez não as ame porque elas não têm uma vida tão exemplar como a nossa. Esquecemos que o amor de Deus não depende das nossas obras e de nosso merecimento.

E outras vezes nos esquecemos da missão porque esquecemos (ou não sabemos) que a missão de anunciar o amor de Deus é um chamado para todos os que creem. Pensamos que ele se dirige apenas a algumas pessoas especificas: ao pastor ou missionário, aos líderes, as pessoas que fazem algum treinamento de liderança ou para aqueles que sabem falar bem em público. Por mais que tudo tenha sua importância, o chamado para a missão não se limita a tais pessoas. Não tem como ser Igreja e não ter um chamado para fazer parte da missão da Igreja. Quem é chamado por Deus para a salvação também é chamado para a missão: para servir, cuidar, abençoar, anunciar o evangelho e assim por diante.  

Diálogo:

Na sua opinião, qual destes motivos, atualmente, tem sido o principal motivo de esquecermos nossa missão?

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