Entre achados e perdidos!

As parábolas de Lucas 15 são contadas por Jesus em um contexto bem interessante! Em Lc 15.1-2 aparecem alguns religiosos fazendo algumas críticas pelo fato de Jesus sentar-se à mesa com “pecadores”! Para eles era óbvio: ninguém se sentaria com pessoas desse tipo! Estar sentado à mesa era compartilhar a própria vida com o outro. Hoje não é diferente; não sentamos à mesma mesa e nem nos relacionamos com qualquer um.

Talvez estes religiosos pensassem: “por que Jesus não se senta conosco a mesa? Afinal de contas, somos pessoas tão corretas e tementes a Deus”. Estes homens se sentiam superiores! Talvez pensassem ter mais valor para Deus do que aqueles outros: publicanos e pecadores! Este é um risco que religiosos correm: achar que seu modo de vida os torna mais amados por Deus e menos pecadores.

Três parábolas são contadas por Jesus neste contexto: “a ovelha perdida”, “a dracma perdida” e “o filho pródigo”. Estes títulos não fazem parte do texto bíblico, mas foram acrescentados para nos informar a respeito do que se trata este texto. O que acontece, porém, é que eles influenciam a maneira como nós lemos o texto! Nestas parábolas, por exemplo, estes títulos nos fazem olhar para os personagens e acontecimentos centrais (a ovelha que se perde, a dracma perdida e o filho mais novo que sai de casa). Contudo, o acontecimento central dessas parábolas não é o perder-se, mas sim o ser encontrado! Portanto, poderíamos olhar para essas parábolas com outros títulos: “a parábola do pastor que busca a ovelha perdida”, “a parábola da mulher que encontra a dracma perdida” e “a parábola do pai amoroso”!

Leia Lc 15.1-7… Nesta primeira parábola é como se Jesus estivesse dizendo para aqueles religiosos: “Sim, é verdade! Eu me sento a mesa com estes pecadores porque amo a cada um de maneira especial e não quero que nenhum deles permaneça perdido”. Jesus demonstra sua misericórdia com aquele que está perdido e, ao mesmo tempo, dá uma lição nos fariseus e escribas mostrando que ele tem o direito de amar aqueles que se perdem! Isso não significa que as outras 99 ovelhas não tinham valor para aquele pastor! Mas significa que cada uma é tão especial que não pode ser deixada perdida! Jesus faria o mesmo por cada uma daquelas 99 ovelhas!

Diálogo:
– Você já teve que lidar com algum preconceito ou sentimento de que “Deus não deveria perder tempo com tal pessoa”?
– Onde você se colocaria hoje nessa parábola: junto com as 99 ovelhas ou no lugar daquela que se perde?
– Quem seriam as pessoas que se encaixam no lugar desta ovelha perdida?

Leia Lc 15.8-10… Uma dracma é uma moeda de prata equivalente a aproximadamente um dia de serviço! Não é um valor tão baixo! Por outro lado, não era um valor tão significativo, visto que esta mulher tinha outras 9 moedas e que gastou dinheiro acendendo sua lamparina para procurar esta pequena moeda! Talvez financeiramente esta procura não tenha nem valido a pena! Mas, por outro lado, este grande esforço em procurar esta moeda mostra que ela tinha um grande valor. É possível que as mulheres ganhassem 10 dracmas na ocasião do seu casamento – isso explicaria o valor desta moeda para aquela mulher. Ela era tão valiosa que não tinha preço que não pudesse ser pago para encontrá-la novamente. O mesmo vale para o amor de Deus por nós: somos tão valiosos, que ele paga o mais alto preço por nós!

Além de seu grande esforço em procurar a moeda destaca-se a imensa alegria desta mulher ao encontrar essa simples moeda! Ela chama amigos e vizinhos para compartilhar sua grande alegria! Nas outras parábolas de Lc 15 vemos estes mesmos detalhes: além do grande esforço em buscar a ovelha e da paciência e amor do pai em relação a seus filhos, nas duas parábolas há uma grande alegria e festa!

Quem é esta dracma? A parábola anterior fala de uma ovelha que se perde longe de seu rebanho! Está parábola fala de uma moeda perdida, mas que não está perdida na rua ou em outra cidade… está pedida dentro da própria casa desta mulher! Jesus está apontando para estes religiosos e dizendo “também vocês são pecadores e estão perdidos”. Eles não se reconheciam como perdidos, mas Jesus mostra que é possível estar dentro de casa (dentro do contexto religioso judaico) e ainda assim estar perdido. Não existe mais perdido, ou menos perdido – quem está perdido, está perdido! O problema maior destes religiosos não é estar perdido, mas é não reconhecer sua perdição!

Além de apontar para a perdição destes religiosos, Jesus está afirmando que estes religiosos podem sentar-se à mesa com ele e todos estes perdidos que foram encontrados! Os religiosos têm um lugar especial à mesa, não por causa de seu modo de viver, mas por causa do amor de Deus!

A última parábola, do pai amoroso, retoma estas duas parábolas: o filho mais novo é como aquela ovelha perdida, que se distancia de casa (como aqueles publicanos e pecadores), enquanto o filho mais velho é como esta dracma que se perde dentro de casa (como estes fariseus e escribas). Nesta parábola (Lc 15.11-32) Jesus diz que o filho que sai de casa e retorna é recebido com uma festa. Mas Jesus termina a parábola deixando algo em branco: o que aconteceu com o filho mais velho? Ele aceitou fazer parte da festa? Essa é a pergunta que Jesus deixa para aqueles religiosos: “estes pecadores estão comigo à mesa! E quanto a vocês!? Vocês irão aceitar o convite de sentar-se à mesa também e participar desta festa ou vão permanecer perdidos?”.

Diálogo:

– Nossa vida de fé e comunidade (oração, leitura da palavra, comunhão, servir…) nos torna mais agradáveis e amados por Deus?

– Como você acha que podemos lidar com esse sentimento de superioridade em relação aos que não compartilham da mesma fé que nós? Conseguimos enxergar estas pessoas como filhos amados de Deus? E conseguimos nos enxergar como um filho perdido que precisou ser encontrado?

– Você já foi motivo de festa para Deus? Compartilhe como grupo sobre como Deus trabalhou ou tem trabalhado em sua vida. Talvez você se lembre de um momento de festa, ou talvez este ser encontrado foi um processo que durou meses ou anos (ou que está em andamento).

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