Lar doce lar!

Sugestão ao grupo: discutam os temas com tranquilidade, deixando espaço para diálogo nas questões centrais levantadas a partir da conferência bíblica. Não se preocupem em passar todo o conteúdo, mas em proporcionar um bom momento de diálogo.

 

Lar doce lar

Nem sempre o que experimentamos e vivemos é um “doce lar”. A vida no lar pode ser amarga: marcada por conflitos, brigas, questões mal resolvidas, falta de perdão e de amor.

Toda família passa por essas dificuldades e problemas de relacionamento – isso vale também para famílias formadas por cristãos. O amor de Deus se reflete no modo como vivemos, mas isso não significa que não passaremos por dificuldades. A diferença é que podemos experimentar todas essas coisas debaixo deste amor de Deus. O que faz de nós cristãos não é a maneira como vivemos, mas o viver a partir da graça de Deus. Uma família cristã não é aquela que não tem dificuldades, onde ninguém comete erros e tudo é uma maravilha; mas a família cristã é aquela que, quando passa por dificuldades, pode experimentar o amor de Deus nos seus relacionamentos.

Este amor de Deus se reflete no perdão diante das falhas. Poder reconhecer o erro e pedir perdão e poder perdoar alguém é uma possibilidade de restauração do lar e dos relacionamentos. Mas perdoar e pedir perdão não é tão fácil. Não gostamos de assumir nossas falhas – e também não gostamos de perdoar, pois quando perdoamos decidimos não cobrar a dívida que o outro tem conosco. Perdoar dá uma sensação de injustiça…. ao mesmo tempo o perdão é extremamente saudável e necessário. Podemos perdoar a partir do amor de Deus, porque somos perdoados por ele (leia Mt 6.12; Mt 18.21-35).

Diálogo:

Reconhecer e dizer que toda a família tem problemas é fácil. Mas o difícil é viver isso na prática – quando vivemos isso, precisamos rever nossas expectativas em relação ao outro. Quais são tuas expectativas em relação às pessoas? Você espera delas a perfeição, ou reconhece que são falhas?

Como é, pra você, pedir perdão ou perdoar? É algo fácil?

Caso tenha liberdade, compartilhe com o grupo a maneira como o perdão tem sido experimentado em sua vida e família.

 

Um lar é formado por pessoas diferentes – com personalidades diferentes… cada um tem diferentes papéis em relação ao outro (um é o filho, outro é pai ou mãe)… e, além dessas diferenças, o lar é formado por pessoas que são de diferentes gerações, isto é, que pensam diferente e que, inclusive, tem diferentes valores e maneiras de lidar com a vida.

Diferenças podem causar conflitos. As diferenças de gerações trazem consigo tanto qualidades como defeitos. Mas o que causa os conflitos não são as diferenças em si, mas a maneira como nós lidamos com essas diferenças. Muitas vezes tentamos encontrar quem é melhor – gerações diferentes procuram motivos para se acusar mutuamente. E o resultado é que não conseguimos provar quem é melhor e apenas aumentamos a distância e entre nós.

A proposta do evangelho não é encontrar o melhor ou o pior – nem anular as nossas diferenças e tornar todos iguais. Mas a proposta é aprendermos a lidar com amor diante das diferenças. Isso implica em ter paciência com o outro… implica em estar aberto a aprender com o outro e com as qualidades que ele tem e eu não tenho… implica em reconhecer que as nossas diferenças trazem riquezas para o nosso relacionamento, pois na medida em que o outro é diferente de mim, ele pode me complementar.

Honra os teus pais – é assim que Deus manda com que os filhos se relacionem com os pais (ou com qualquer outra pessoa que tenha uma responsabilidade sobre nós, como professores). Com honra: é deste modo que os filhos devem tratar os pais e as pessoas mais idosas. E, além disso, o relacionamento saudável entre essas gerações depende também da responsabilidade e atitude de gerações mais velhas: pais, não provoquem a ira. Quando pais e filhos honram um ao outro e seu papel um na vida do outro, podemos experimentar uma aproximação das gerações. (leia Ex 20.12; Ef 6.1-4)

A distância entre gerações se reflete no fato de que perdemos o hábito de mantermos relacionamentos de qualidade. Muitas vezes, dentro de uma mesma casa, não nos conhecemos mais. Um dos momentos mais significativos de relacionamento acontece quando nos sentamos à mesa para uma refeição, assim como Jesus fazia com os seus (Mc 2.15-17) – é interessante como, à mesa, a conversa começa a fluir! A família atual perdeu estes momentos – nossa rotina faz isso conosco: ninguém mais para em casa, adultos trabalham o dia todo, crianças têm uma rotina pesada de escola, curso de inglês, futebol, jovens são pressionados pela faculdade… é difícil encontrar um momento onde todos possam estar em casa. Às vezes esperamos que os momentos em família caiam do céu; que entre um programa e outro consigamos encontrar todos em casa e ter um momento de convívio. Priorizar, porém, significa que estes momentos precisam ser planejados e agendados.

Diálogo:

Como o honrar pai e mãe se aplica na sua fase da vida: seja na sua relação com seus pais ou na relação com seus filhos?

A família tem sido uma prioridade pra você? O que tem dificultado e tirado teu tempo de convivo com a família?

 

Para concluir, uma breve história:

Certa família, onde vivia o pai, a mãe, um filho, uma filha e a avó, passava por um momento de dificuldade. O casal não tinha mais um bom relacionamento entre si, o que se refletia também no modo como tratavam os outros dentro de casa. Muitas vezes negligenciavam seu papel como pais. Os filhos estavam passando por uma fase difícil – não queriam mais ouvir seus pais, quase não paravam em casa e não tinham paciência com ninguém em casa. A avó a cada dia perdia suas forças e necessitava de mais cuidado, mas era esquecida por todos – passava o dia se queixando de tudo e de todos. Tudo isso tornava o convívio naquela casa muito estressante. Certo dia esta família recebeu a visita de um pastor – todos sentaram-se juntos e começam a se acusar mutuamente. Em um determinado momento o pastor diz: “na verdade vim lhes trazer uma notícia! Essa semana descobri que alguém dentro desta casa é Jesus, disfarçado! Vocês precisam descobrir quem é!” A família não podia acreditar no que ouvia: como Jesus poderia estar naquela casa, com tantos problemas? E quem dos membros da família poderia ser ele: todos tinham tantas falhas!? Começaram a discutir entre si, na tentativa de encontrar quem seria Jesus, pois não o queriam tratar mal – a partir daquele dia, começaram a tratar um ao outro de modo diferente, como se estivessem tratando o próprio Cristo.

Essa história mostra que, nas dificuldades e conflitos, precisamos enxergar o outro com os olhos de Cristo. E, mais do que isso, precisamos enxergar Cristo no outro. Quando o amor de Deus perpassa nossos relacionamentos e vivemos debaixo da graça, podemos experimentar uma restauração no nosso lar e uma transformação nos nossos relacionamentos.

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