Deus é bom! Será?

Leia o Sl 119.68. Deus é bom e faz coisas boas! É bem provável que você já tenha parado para refletir sobre afirmações deste tipo: será que Deus é bom mesmo? No meio de tantas coisas ruins que vemos e vivemos, ainda é possível que Deus seja bom?

A segunda parte do versículo expressa um desejo: se este Deus é bom, quero conhecer seus decretos e viver sob sua vontade. Só quem experimenta a bondade de Deus pode sentir tal desejo.

Os Salmos trazem os mais diversos temas – falam do ser humano, exaltam a Deus e a sua bondade, expressam queixas e falam de situações difíceis que o ser humano enfrenta. Por mais que os salmistas reconheçam a grandeza e a bondade de Deus, eles não ignoram o sofrimento do ser humano e o fato de, muitas vezes, nos sentirmos abandonados por Deus. Isso é expresso no Sl 22, por exemplo. Também Jesus não escondeu seu sofrimento e sentimento de abandono quando, na cruz, fez uso das palavras deste salmo (Mt 27.46).

Diálogo:

Na sua opinião, é possível dizer que Deus ainda é bom? 

Precisamos esconder de Deus nossos sentimentos e queixas quando sofremos?

 

Leia o Sl 73! Asafe, escritor deste salmo, começa com uma exaltação! O primeiro verso declara a bondade de Deus, especialmente para com o seu povo. Se Deus é bom!? Segundo este versículo: sim! Ele é bom para com aqueles que querem viver sob sua vontade, isto é, para os limpos de coração.

A partir do versículo seguinte o tema do salmo muda – agora Asafe não olha para Deus, mas olha para si mesmo e confessa que quase tropeçou: “verdadeiramente Deus é bom, quanto a mim, meus pés quase vacilaram…”. O motivo deste seu vacilo é sua inveja dos ímpios – ele compara a sua vida com a dos ímpios e começa a ver injustiças, as quais são descritas adiante. Pelo coração de Asafe passam sentimentos que também podem tomar conta de nós: como pode que cristãos, que confiam em Deus, passam por dificuldade enquanto aqueles que não querem saber de Deus prosperam?

Asafe passa por um momento de intensa crise por causa das injustiças que vê – ele chega a lamentar por ter permanecido firme em Deus, no verso 13. Ele não leva em conta aquilo que é descrito em Tg 1.2-3. Em certos momentos somos parecidos com Asafe!

No versículo 15 o salmista se dá conta de algo fundamental – ele cai em si: se ele se colocar contra Deus ele irá trair os filhos de Deus. Ele se dá conta de que sua atitude derrubaria seus irmãos. Ao invés de continuar na mesma atitude, se queixando dos ímpios, ele assume sua responsabilidade diante de seus irmãos. A bíblia está cheia de apontamentos que mostram que o cristão é para o outro. Nossa razão de ser não se resume em nós mesmos e em vivermos uma vida tranquila, mas, no evangelho, nossos olhos são voltados para fora de nós.

Diálogo:

Porque ser cristão não nos garante segurança, sucesso, prosperidade, etc.?

Como a comunhão pode ser importante para enfrentarmos sofrimentos? Ter um irmão com quem compartilhar a vida já foi fundamental para você?

Do que você sente mais necessidade em sua vida: de ser cuidado ou de ser cuidador?

 

Apesar da crise, Asafe percebe aquilo que era mais importante para sua vida: não há nada mais importante na terra do que Deus. O versículo 25 ressalta o que é essencial: estar próximo de Deus e confiar nele. Por mais que o cristão nem sempre leve uma vida tranquila e próspera, ele certamente pode experimentar este grande privilégio.

O cristão vive uma dupla realidade: está com um pé no mundo, em meio ao sofrimento, e com o coração no céu, na presença de Deus e experimentando sua bondade.

Estar na presença de Deus é também estar na presença de irmãos. Comunhão é parte essencial da vida – é ali que sou acolhido, amado e que posso compartilhar motivos de choro e riso…

Asafe também reconhece que Deus é soberano sobre a vida do ser humano: seja sobre a sua vida e sobre a vida dos ímpios. Toda a vida está nas mãos de Deus.

A conclusão é a seguinte: Deus é bom e bom é estar junto a Deus, com saúde ou não, com riqueza ou não… posso duvidar e até não compreender, mas permanecer em Cristo é o melhor que posso ter!

Diálogo:

É possível experimentar algo bom em meio ao sofrimento?

Como a soberania de Deus pode ser consoladora para nossa situação?

Como podemos lidar com nossas duvidas, perguntas, comparações, etc.?

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