A HISTÓRIA DA IDEOLOGIA DE GÊNERO E DESDOBRAMENTOS PARA A EDUCAÇÃO HOJE

A função desta palestra é informar sobre um assunto que está tomando grandes proporções no nosso tempo, mas que nem passava pelo imaginário antigo e, também, o bíblico.

A questão da ideologia de gênero é algo que está sendo discutido no mundo somente a partir do último século. Hoje queremos tratar um pouco da história de como se convencionou essa visão e como isso nos atinge no meio da nossa vida particular. Como no pensamento bíblico essa ideologia de gênero era algo impensável, não encontramos nenhum texto bíblico que possa nos orientar diretamente, mas ainda assim a bíblia nos orienta a fim de nos dar sabedoria para lidar com coisas desse tipo.

E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. Gênesis 1:27.

E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. Romanos 12:2.

Mas antes de tudo vamos tentar entender rapidamente o que é a questão de gênero (vídeo: entendendo a ideologia de gênero em 2min). Percebemos que a ideologia de gênero, com todas as suas teorias, quer eliminar a diferença conceitual entre homem e mulher. A ideia é fazer com que a sociedade entenda que não é porque um homem tem corpo de homem que ele é homem ou não é porque uma mulher tem corpo de mulher que ela é mulher. Isso tem uma causa:

1) O problema da desigualdade: É sabido que a questão da desigualdade entre os sexos é um problema que tem sido combatido a muito tempo. E com razão. É um problema quando vemos mulheres ganhando um salário menor do que os homens mesmo trabalhando nos mesmos cargos. É um problema quando vemos casos de assédio sexual, violência física e moral de homens contra mulheres. É um problema quando homens se utilizam do fato de serem homens para conquistarem maior poder, status e renda.  Quando isso acontece é um retrocesso que se instala na sociedade. Isso provém da antiguidade, quando a força física imperava entre as virtudes e era a forma de dominação. Porém hoje em dia a força física não tem esse valor, mas a força intelectual, da qual ambos os sexos são portadores em igual medida. Vemos, então, que a ideologia de gênero tem como objetivo a eliminação das desigualdades entre os sexos masculino e feminino. Mas não só isso, mas há a questão da desigualdade e violência contra a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais). Da mesma forma, é um problema quando vemos violência física e moral contra essa comunidade. Não resolve nada e só piora a situação (a chamada homofobia).

2) A origem do termo e suas concepções: O conceito de “gênero” é resultado de um longo processo de pensamentos filosóficos e revoluções culturais do ocidente no último século.  O Sexólogo John Money (1921-2006), diante de casos de hermafroditismo (traços biológicos dos 2 sexos) ele começa a usar a palavra “gênero”

 Gênero é uma “identidade sexual que não coincide com a identidade biológica”

 Distinguiu entre sexo (noção biológica) e gênero (papel social, experiências de masculinidade e feminilidade das pessoas, sentimentos subjetivos)

 É possível escolher uma identidade de gênero diferente da identidade biológica [p. ex. homossexualidade]

Começa-se então a produzir este conceito de que a identidade sexual é diferente da identidade biológica, ou seja, o meu corpo não determina a minha sexualidade. Se tenho corpo de homem eu posso me identificar como um mulher, se tenho corpo de mulher eu posso me identificar como um homem. Essa visão foi fortemente adotada por jovens a partir da revolução sexual da década de 60, pois dava liberdade para que se usasse a sexualidade como bem se queria (poderia se fazer sexo com qualquer um ou com qualquer quantidade de pessoas).

Simone de Beavoir (1908-1986), uma das feministas mais importantes da história:

“Não se nasce mulher, torna-se mulher”

Na sua concepção, o corpo biologicamente predisposto para ter filhos é como uma prisão para a mulher e a família, casamento e maternidade estão na origem da opressão e dependência femininas e são um empecilho para que vivam a sua liberdade. Aqui nós tocamos num dos pontos fundamentais: a família e a maternidade como opressão. Como a função contemporânea da ideologia de gênero é a eliminação da desigualdade entre os sexos (e, hoje, a eliminação dos preconceitos para com as minorias) o feminismo começou a criar teorias de como é possível que a mulher não seja mais oprimida pela sociedade machista. Simone de Beavoir diz que a família é culpada por essa opressão. Ela não foi a primeira a dizer isso, Karl Marx já havia afirmado, depois de ter escrito O Capital, denunciando a questão da desigualdade social, que, na verdade é na célula da família que a desigualdade social tem seu fundamento estabelecido. Começa aqui o ataque à família.

Beavoir ainda diz que a própria maternidade é opressão contra a mulher, pois a define como mulher. “Que nada nos limite. Que nada nos defina. Que nada nos sujeite. Que a liberdade seja a nossa própria substância.” Há uma frase popular que diz “quem se define se limita”. O que mais define uma mulher como uma mulher senão a maternidade? Porém, para as grandes feministas, a maternidade é uma forma de opressão biológica. O que está por traz de tudo é, no fundo, atrás de todas as causas humanitárias, a busca por liberdade e a eliminação de todos os tipos de opressão (até mesmo da igreja).

Assim começa-se um grande movimento feminista para a questão do gênero.

 Feminista Judith Buttler, Gender trouble, 1990

 Defende que não existe ligação nenhuma entre biologia e papel social – nossa opção sexual não tem nada a ver com o nosso corpo biológico

 “O gênero não é o resultado casual do sexo, nem é aparentemente tão fixo quanto o sexo. Ele é um estado construído, radicalmente independente do sexo. Um artifício em flutuação livre, que tem por consequência que homem e masculino podem tanto significar um corpo feminino quanto um corpo masculino e que a mulher e feminino podem tanto significar um corpo masculino quanto feminino”. E começa, pela força das minorias escondidas atrás de causas humanitárias, a ganhar espaço político.

Documento da ONU:

 Gênero corresponde “aos atributos sociais e [às] oportunidades associadas ao fato de ser homem ou mulher e às relações entre mulheres e homens, entre moças e rapazes, como também às relações entre mulheres e às relações entre homens. Esses atributos, oportunidades e relações são socialmente construídos e aprendidos no curso do processo de socialização. Eles são específicos de certos contextos e épocas e mutáveis”. A partir daí fala-se num consenso mundial em relação ao termo (que gênero identifica um papel social).

3) A educação

No Brasil, o Ministério de Educação já está implementando essa visão nas escolas.

 Revisaram livros de educação

 Promovem sensibilidade de gênero

 Introduziram o tema da orientação sexual e da identidade sexual nos currículos das escolas,   ali é associado a um direito

 Livros escolares desconstroem estereótipos masculino e feminino

 Banheiros da diversidade

 Tentaram (e conseguiram!) implantar ideologia de gênero através dos Planos

Estaduais e Municipais de Educação

No âmbito familiar, nas nossas casas, é muito difícil que se ensine essas coisas. Mas as escolas estão se tornando o veículo e implementação dessa nova cultura. A ideia é assim, mudar a visão da sociedade com o fim de eliminar todo tipo de opressão, violência, desigualdades, descriminações, etc.

4) A realidade

É possível negar a biologia?

É possível negar a maternidade?

Será que se educarmos as nossas crianças desde pequenas a não serem nem meninos nem meninas, será que elas vão conseguir assimilar isso? Será que isso realmente vai resolver o  problema do mundo?

O documentário Norueguês chamado “O paradoxo da igualdade” de Harald Eia identifica questões bem interessantes:

A Noruega é o país com menos desigualdade entre os sexos do mundo (dado de 2008), pois vêm se trabalho essa questão de gênero a muito tempo. No entanto se percebeu que homens e mulheres estavam escolhendo profissões mais adequadas aos seus sexos. Por exemplo, homens estavam, em grande maioria, trabalhando com mecânica e engenharia, enquanto as mulheres estavam, também em grande maioria, optando pelo professorado e enfermagem. O documentário identifica a má argumentação dos teóricos de gênero. Ele mostra também algo muito curioso. Um estudo foi feito com recém-nascidos, bebês não poderiam ter uma identidade sexual construída pela sociedade. De um lado do berço mostrava-se uma pessoa (sem ser os pais) e do outro um objeto qualquer, que não tivesse relação com pessoas ou animais. Uma porcentagem consideravelmente maior de meninos olhava para o objeto mecânico, enquanto a grande porcentagem de meninas olhava para as pessoas. Indagando neurologistas sobre isso, a resposta que ele teve é óbvia. Meninos e meninas nascem com cérebros diferentes. Os homens são mais propensos a se interessarem por coisas mecânicas e impessoais, enquanto as mulheres são mais voltadas para as relações pessoais (a grande maioria, não todos). De qualquer forma, para um neurologista cérebros de meninos e meninas são diferentes. O resultado do documentário foi que o Conselho Nórdico de Ministros cortou, em 2011, os fundos para o Instituto Nórdico de Gênero.

Não importa o quanto se esforce por negar a biologia ou considera-la uma opressão, mulheres serão sempre XX e homens serão sempre XY. Portanto, o discurso dos teóricos de gênero não é compatível com a realidade.

5) O que fazer?

  1. Não aceite tão facilmente o que a mídia fala sobre o assunto. Não se conforme com este século.
  2. Não é porque negamos a ideologia de gênero que negamos as causas sociais legítimas (sempre irão nos acusar disso).
  3. Não tenha medo de defender sua posição.
  4. Seja tolerante.

Escrito por: Missionário André Gaulke

CONFERÊNCIA BÍBLICA – O DESAFIO DE SER FAMÍLIA – 04/06/2016

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